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Análise: A "contenção notável" do Dalai Lama
2008-03-26
Beijing, 26 mar (Xinhua) -- Depois da violência em Lhasa e em outras cidades chinesas, onde a maioria dos moradores são da etnia tibetana, o Dalai Lama, que se diz um "monge inocente", pediu, repetidamente, a "não-violência" e o "diálogo" com o governo chinês, acrescentando que iria "renunciar à liderança dos exilados tibetanos se houver mais protestos anti-China violentos".
Isto é a imagem pacifista de um homem com "contenção notável", como comentou o editorial estrangeiro. Nem todos na China estão convencidos de que isso é a realidade.
Desde que fugiu para a Índia em 1959, o Dalai Lama vem defendendo a "independência tibetana".
O Dalai costumava proferir discursos em 10 de março de todos os anos para comemorar a rebelião em 1959. De 1960 a 1977, ele mencionou o Tibet como independente -- histórica e culturalmente -- em 12 desses discursos anuais.
No fim dos anos 1970, países ocidentais começaram a melhorar as relações com a China. O Dalai Lama então adotou um "caminho do meio" -- maior autonomia no "Grande Tibet" que caracterizou o plano de paz de cinco pontos que o Dalai apresentou a membros do Congresso dos Estados Unidos, e a proposta de Estrasburgo de sete pontos.
O "Grande Tibet" do Dalai não apenas inclui a atual Região Autônoma do Tibet, mas também cobre a província vizinha de Qinghai e o sul da província de Gangsu, ambas no noroeste da China, assim como o oeste da província de Sichuan e noroeste da província de Yunnan, ambas no sudoeste do país.
No total, essas regiões representam um quarto do território chinês. No entanto, de acordo com especialistas, esse chamado "Grande Tibet" nunca existiu.
"O Tibet tem sido parte da China desde a dinastia Yuan no século 13", disse Ngagwang Cering, diretor do Instituto de Estudos Contemporários da Academia de Ciências Sociais do Tibet. De acordo com o pesquisador, o termo "Independência do Tibet" surgiu apenas quase 20 anos depois da invasão britânica da região, em 1904.
"Uma força pró-Reino Unido se formou no Tibet depois da invasão", disse Xu Tiebing, professor da Faculdade de Comunicações Internacionais da Universidade de Comunicações da China, que citou o evento como o começo da questão do Tibet.
Portanto, o "Grande Tibet" não reflete nenhuma divisão histórica, nem se encaixa na realidade da China, disse Gyaidam Lodain Puncog, do Centro de Pesquisa da Tibetologia da China.
"As minorias étnicas congregam-se em diferentes regiões, onde, no entanto, eles também se misturam com a etnia Han", disse o professor. "Com tal proposta ('Grande Tibet'), a intenção real do Dalai Lama é eliminar o governo do Partido Comunista da China", acrescentou.
Essa intenção, de acordo com especialistas, pode ser vista nos comentários do seguidor e irmão mais novo do Dalai Lama, Tendzin Choegyal.
Em uma entrevista ao repórter francês Pierre-Antoine Donnet, Tendzin Choegyal disse: "Primeiro buscaremos a autonomia e depois iremos explusar os chineses! Exatamente como Marcos foi expulso das Filipinas e os britânicos foram explusos da Índia! Estamos pensando no mundo e nas próximas gerações. Autonomia ou auto-governo só é um começo".
O irmão mais velho do Dalai Lama, Gyalo Thondup, explicou assim uma autonomia maior: "Vinte anos depois dessa maior autonomia, um referendo será realizado na região do 'Grande Tibet' para empurrar o Tibet da 'semi-independência' à 'independência'".
O sonho de longo tempo do Dalai Lama para a "independência" até foi visto por políticos estrangeiros. J. Stapleton Roy, ex-embaixador dos Estados Unidos na China, disse no documento "Situação dos Direitos Humanos do Povo Tibetano", divulgado em 14 de outubro de 1987, que "a Administração negou qualquer apoio ao programa de cinco pontos do Dalai Lama", já que "nem os Estados Unidos, nem qualquer outro membro da Organização das Nações Unidas (ONU) reconhecem, ou alguma vez reconheceram, o Tibet como um Estado independente soberano da China".
Mas o Dalai Lama continuou sua associação com alguns países e criticou a China e o desenvolvimento no Tibet.
"Com a ajuda das forças internacionais, o Dalai quer pressionar o governo chinês e forçá-lo a ceder, a fim de alcançar sua meta", comentou Zhou Yuan, pesquisador do Centro de Pesquisa da Tibetologia da China.
Algumas vezes, o Dalai aproveitou ambientes internacionais favoráveis a ele, disse Zhou, que citou como exemplo o período de 1989 a 1993, quando mundanças drásticas aconteceram no leste da Europa e na antiga União Soviética, que depois se desmantelou. Naquele período, a palavra "independência" voltou a reaparecer nos discursos anuais de 10 de março do Dalai Lama.
Portanto, disse o prefessor, o apelo do Dalai Lama para o diálogo com o governo chinês nunca foi e nunca será sincero.
No início deste mês, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse, em entrevista coletiva, que a porta de diálogo com Dalai Lama permanece aberta, assim que ele abrir mão da "independência do Tibet" e reconhecer o Tibet e Taiwan como partes inalienáveis do território chinês.
"Precisamos ver o que o Dalai Lama faz. Isto depende das ações dele", afirmou Wen na ocasião. Fim
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