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Especialistas condenam meios de comunicação ocidentais por cobertura tendenciosa sobre os distúrbios em Lhasa
2008-03-24
Beijing, 24 mar (Xinhua) -- Especialistas chineses em jornalismo e comunicação expressaram desapontamento com as reportagens distorcidas, por parte de alguns meios de comunicação ocidentais, sobre os distúrbios em Lhasa e pediram a eles que substituam essas reportagens tendenciosas com a cobertura imparcial.
"Eles devem fazer correções e cobrir o assunto com mais objetividade", comentou Guan Shijie, professor na Faculdade de Jornalismo e Comunicações da Universidade de Beijing.
Nos últimos dias, algumas organizações de mídia ocidentais foram criticadas pelos internautas chineses por ter distorcido a cobertura sobre a violência em Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibet, sudoeste da China.
Guan disse ter notado que o site do BILD, o jornal alemão com maior tiragem, publicou uma foto em que policiais nepaleses estavam dispersando protestadores tibetanos com bastões. No entanto, o jornal alemão disse que isto aconteceu no Tibet.
Além disso, a legenda ao lado da foto questionava: "Devemos boicotar os Jogos Olímpicos de 2008 em conjunto?" Isso revelou o propósito oculto do jornal.
"Alguns meios de comunicação ocidentais não hesistaram em disseminar rumores para minar os Jogos Olímpicos deste ano", comentou o especialista chinês, que acrescentou ainda que, no final das contas, a mídia ocidental quer aproveitar os distúrbios para manchar a imagem da China, servindo aos próprios interesses políticos.
Ele disse que as reportagens distorcidas violaram a ética global da mídia e danificaram gravemente a reputação da China no mundo, já que será difícil apagar as primeiras impressões dos leitores ou espectadores.
Ele pediu a esses meios de comunicação que corrijam e assumam a responsabilidade pelo que eles apresentaram. "A liberdade de imprensa não deve obstruir a liberdade e a dignidade de outras pessoas", indicou Guan.
Zhang Kai, professora da Universidade de Comunicações da China, concordou com Guan. Ela dissse que alguns meios de comunicação ocidentais distorceram os fatos e, até mesmo, fabricaram reportagens sobre os distúrbios em Lhasa.
A BBC divulgou uma foto no seu site mostrando que oficiais da polícia armada chinesa estavam ajudando médicos a transportar um ferido para uma ambulância.
No entanto, a legenda da foto disse que "há uma forte presença militar em Lhasa", negligenciando os óbvios sinais de pronto-socorro e a cruz vermelha na ambulância.
O jornal alemão Berliner Morgenpost publicou uma foto em seu site de policiais resgatando um jovem atacado pelos desordeiros. Mas a legenda foi "rebeldes levados pela polícia".
A N-TV, com sede na Alemanha, usou uma cena que mostrava policiais capturando protestantes numa reportagem sobre os distúrbios no Tibet. Na realidade, a cena foi filmada no Nepal e os policiais eram nepaleses.
Zhang disse que nesses casos, jornais e estações de televisão, obviamente ocidentais, escolheram matérias de acordo com suas idéias pré-concebidas. Enquanto não conseguissem materiais "adequados", usariam outras coisas em substituição.
"Eles violaram o fundamental princípio jornalístico, a 'verdade'", comentou a especialista.
He Hua, que trabalha na Estação de Televisão de Tianjin, disse que entendeu o grande impacto visual que as fotos e as cenas de televisão ocidentais tiveram sobre os leitores e os espectadores.
Ela lembrou que uma matéria do New York Times sobre os distúrbios no Tibet usou uma foto de policias nepaleses e protestantes tibetanos. Isto irá definitivamente enganar o público, sem mencionar as reportagens que confundiram diretamente os policiais nepaleses e indianos com policiais chineses.
"Fiquei envegonhada por alguns colegas ocidentais", disse He.
Yang Jing, estudante de pós-graduação na Faculdade de Comunicação Internacional da Universidade de Comunicações da China, disse estar desapondada com a mídia ocidental, já que antigamente ela costumava apreciar e respeitar os meios de comunicação ocidentais pela sua objetividade e imparcialidade.
"Quando alguns grandes eventos aconteceram, costumava verificar como eles cobriram e ouvir as opiniões deles. No entanto, a boa imagem caiu na minha mente após este incidente", opinou a estudante universitária.
De acordo com estatísticas oficiais, pelo menos 18 civis inocentes e um policial morreram e 624 ficaram feridos nos distúrbios em Lhasa. Os danos econômicos estão estimados em mais de 244 milhões de yuans (cerca de US$ 34 milhões). Fim
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