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Entrevista: Governo do Pará prepara missão à China
2008-06-04
Brasília, 4 jun (Xinhua) -- O governo do estado do Pará, o mais populoso da Amazônia brasileira, prepara uma segunda missão à China para discutir projetos de cooperação econômica, financeira e cultural.
Em entrevista à Xinhua, o assessor de Cooperação Internacional do governo paraense, Antonio Foratti, destacou que a relação com a China pode avançar do atual plano comercial para um nível mais amplo de cooperação.
"O interesse do Pará em estreitar relações com a China é prioritário, porque é coerente com a política do governo federal, e porque o estado do Pará está profundamente relacionado com a economia chinesa, seja na área da soja como na de minério de ferro", destacou.
Segundo ele, as boas perspectivas são favorecidas pela sintonia entre as políticas do governo chinês e as da governadora Ana Julia Cánepa, do Partido dos Trabalhadores (PT).
"Fui à China em novembro e o que mais me impressionou é que demostraram uma grande simpatia pela governadora Ana Julia e pelo estado do Pará, sendo que a governadora é do mesmo partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", ressaltou.
A visita terminou com a proposta de que seja definido algum projeto para ver as possibilidades de financiamento do governo ou de empresas privadas chinesas.
Foratti recordou que um antecedente da aproximação entre Pará e China foi o acordo de cooperação cultural firmado durante o governo do petista Edmilson Rodríguez na prefeitura de Belém, entre essa cidade e a de Shaoxing, próxima de Shanghai.
De acordo com o assessor, a Amazônia é uma região importante, primeiro por questões ambientais, que exige o uso racional dos recursos renováveis, e pode além disso se converter em um grande laboratório para novos remédios, como conseqüência de sua grande biodiversidade.
Na região existe uma grande quantidade de recursos hídricos, que para o governo paraense "devem ser usados dentro de uma lógica de cooperação". Entre as potencialidades econômicas da Amazônia, que ocupa um território das dimensões de toda a Europa, estão também áreas degradadas, devido à destruição de florestas, que podem ser utilizadas para biodiesel, e o Pará, principalmente, têm grandes recursos minerais.
"Há algum tempo existem relações econômicas entre o Pará e a China, sobretudo pela exportação do minério de ferro e cobre. Mas é uma relação puramente econômica e de empresas para empresas, na qual até agora o governo do Pará não teve um papel ativo", enfatizou o funcionário.
Ele explicou que, como a China é uma grande importadora, existe pelo governo chinês um interesse para financiar obras de infra-estruturas que garantam o fluxo de obras de infra-estrutura que garantam o fluxo desses produtos para o país.
"O interesse é recíproco, de um lado o governo chinês está interessado no fluxo regular de matérias-primas para seu desenvolvimento, e o governo do Pará está interessado em discutir com o governo chinês sua participação em algumas obras, como portos, aeroportos, aerovias, e também para joint-ventures, porque o estado de Pará está interessado na verticalização da produção", disse.
Na área de agricultura, por outra parte, o Pará pode produzir muitos produtos de interesse para China: soja, frango, biodiesel, e energia para a grande demanda da produção chinesa.
Outra área prevista de cooperação é a cultural, já que poderia ser estabelecido um intercâmbio universitário. "A idéia é que chineses ministrem cursos de seu idioma na Universidade do Pará, e enviar paraenses para se aperfeiçoarem no estudo da língua portuguesa em algumas universidades chinesas", disse.
Também está sendo analisado um acordo entre o estado do Pará e a região chinesa de Sichuan, interessante pela importante tradição cultural, e por ter alguns problemas que são similares aos do território paraense. "Sichuan tem uma parte ambiental muito forte, têm experiências de hidroelétricas, tem minas e tem um grande mercado, porque são 90 milhões de pessoas", indicou.
O assessor comentou que uma delegação paraense já estava preparada para visitar a China, mas o terremoto em Wenchuan mudou as coisas. Foratti expressou sua expectativa de que a missão viaje o mais breve possível.
"Ainda não sabemos se vamos a Shanghai e depois a Sichuan, à capital Chengdu, ou se os companheiros chineses preferirão discutir em Shanghai ou Beijing. Será uma missão política institucional, preparatória de uma missão maior na qual esperamos que a governadora faça parte, e que poderia ser em outubro ou novembro", concluiu. Fim
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