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Brasil inicia "promoção" do país na China
2008-07-10
Beijing, 10 jul (Xinhua) -- "O Brasil sente que precisa ser mais conhecido na China", manifestou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Welber Barral, em uma entrevista exclusiva à Xinhua, à margem do Seminário sobre Oportunidades de Investimentos no Brasil, realizado ontem no Hotel China World, em Beijing.
Uma missão brasileira, liderada por Welber, está na China realizando uma série de reuniões e visitas com funcionários e empresários chineses, de quarta-feira até sexta-feira desta semana na China. A missão é a primeira atividade da programação da Agenda China, documento que visa, principalmente, a triplicar as exportações brasileiras para a China e atrair mais investimentos chineses para o Brasil até 2010.
O documento foi lançado no dia 3 deste mês em Brasília e no dia 7, a missão chegou primeiro a Macau, com a realização de um seminário semelhante, pois, segundo o funcionário brasileiro, empresários da região estão muito interessados nas oportunidades de negócio com o Brasil.
"Dentro do plano de desenvolvimento brasileiro, a relação econômica com a China tem destaque. O Brasil espera seguramente que, até 2010, ela seja a primeira parceira comercial do país", assinalou Barral, que confirmou que trabalha muito em assuntos sobre a China, mas que, pela primeira vez, visita o país asiático,
Para ele, "a China hoje é um parceiro estratégico do Brasil" e não há como pensar no século 21 sem pensar na parceria entre os dois países.

COMÉRCIO BILATERAL

No seminário, a vice-ministra chinesa do Comércio, Ma Xiuhong, também fez um discurso, no qual prognosticou que o comércio entre os dois países possivelmente superará US$ 40 bilhões, um aumento de 34,7% em comparação com o ano passado.
"Os dois países ainda têm espaço para expandir mais o comércio bilateral e melhorar a estrutura de produtos de exportações e importações", disse Ma, cujas palavras coincidem com a idéia do Brasil.
Barral indicou que entre 2000 e 2006, o comércio entre os dois países aumentou dez vezes."Esse crescimento foi muito rápido e muito importante. É um crescimento que queremos manter", disse Barral, que, no entanto, reconheceu que muitos produtos se concentravam na área agrícola.
Além disso, em 2007, pela primeira vez desde 1987, a balança do comércio bilateral deixou um déficit ao Brasil, no valor de cerca de US$ 2 bilhões. "Sentimos a possibilidade e a necessidade do desenvolvimento na área do comércio com a China", esclareceu.
A Agenda China tem como objetivo aumentar as exportações brasileiras para o país asiático para até US$ 30 bilhões até 2010, cerca do dobro do que acontece hoje, uma meta que o funcionário brasileiro tem muita confiança em realizar. Barral sublinhou que grupos de vários órgãos do Brasil trabalharam durante cinco meses para elaborar a Agenda China, que identificou 619 produtos brasileiros com potencial de expansão das exportações para o mercado chinês. Em 2007, esses produtos representaram 67% do total das importações chinesas, cuja pauta total somou 5.637 produtos.

BRASIL QUER MAIS INVESTIMENTOS CHINESES

Perante a prosperidade comercial, a área de investimentos entre os dois países registrou números muito pequenos. Segundo os dados do Ministério do Comércio da China, até o momento, o investimento brasileiro na China é de US$ 250 milhões, e o da China no Brasil, é de apenas US$ 150 milhões.
Dados do ministério mostram que nos primeiros cinco meses deste ano, a China atraiu investimentos estrangeiros direitos (IED) de US$ 40,3 bilhões e investiu no ano passado um total de US$ 18,7 bilhões. No mesmo ano, o Brasil atraiu IED de US$ de 34,6 bilhões, tornando o segundo foco de investimentos no mundo.
Segundo a gerente de negócios da seção do comércio da Embaixada Brasileira em Beijing, Mandy Wang, devido à falta de informações e a longa distância entre dois países, empresários chineses não conhecem bem as políticas do Brasil e acham o ambiente de investimento e segurança pública do Brasil inferior.
Por isso Barral enfatiza que é necessário "fazer a divulgação na China".
Para realizar o trabalhoo, em primeiro lugar, nesta missão, a subchefe da Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior, trouxe o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que visa a promover e garantir o crescimento do Brasil nos próximos anos com projetos específicos de infra-estrutura, entre outros, para a China. "A China é o único país em desenvolvimento a que cheguei com o PAC", disse Miriam.
Por outro lado, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) também realizará, em breve várias atividades na China. De acordo com o presidente da APEX, que vai estabelecer um escritório em Beijing em setembro, serão realizados com a ajuda do Instituto de Cooperação Internacional do Brasil e o Conselho para a Promoção de Internacional da China, 52 palestras nas principais cidades do território chinês, bem como a participação de grande escala na Feira de Investimentos em setembro em Xiamen.
Durante a visita a Beijing, que se encerra dia 11, a missão também visitou o Parque de Tecnologia de Tsinghua e realizou reuniões com os alto-funcionário do Comércio e do Banco de Desenvolvimento da China.
A "Agenda China: Ações Positivas para as Relações Econômico-Comerciais Sino-Brasileiras" foi elaborada a partir de um estudo coordenado pelo MDIC do Brasil, em parceria com os ministérios das Relações Exteriores (MRE) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com a participação do Conselho Empresarial Brasil-China e da Confederação Nacional da Indústria do Brasil. Fim
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