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Artigo escrito pelo Exmo. Sr. Embaixador ao Jornal do Povo do Ceará
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2004-08-17
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Cooperação China-Brasil: Amplas
Perspectivas Wan Yongxiang*
Entre os dias
28 e 30 de abril, convidados, eu e minha equipe
diplomática visitamos o Estado do Ceará - fato
inédito desde que assumi o cargo de embaixador da China
no Brasil. Senti a amizade e hospitalidade do Governo e do
povo cearense, a sincera vontade de desenvolver a
cooperação de benefício mútuo com a
China. Mantive audiências com as principais
autoridades locais e participei de jantar oferecido pela
Federação das Indústrias do Estado do
Ceará (FIEC), que envolveu conversa com os
empresários locais. Visitei ainda o Centro
Dragão do Mar de Arte e Cultura, o Parque Eólico e
a fábrica de óleo vegetal M. Dias Branco S/A. O
deputado Inácio Arruda me acompanhou em todas as
atividades. Expresso aqui meus sinceros agradecimentos pela
organização atenciosa e recepção
calorosa do Governo Estadual, da Prefeitura Municipal de
Fortaleza e da sociedade cearense. Ao longo dos mais
de 50 anos desde a sua fundação, a República
Popular da China tem percorrido um caminho próprio,
considerando as realidades do País na
elaboração e definição das
orientações e políticas nacionais de
desenvolvimento. Com a Política de Reforma e Abertura
ao Exterior, no final da década de 1970, a causa da
modernização socialista da China conheceu grande
impulso. Durante os últimos (mais de) 20 anos, a
economia chinesa mantém um crescimento contínuo e
acelerado, com uma taxa anual real de 9,7%. O sistema
inicial de economia de mercado socialista se estabeleceu e
uma configuração de abertura ao exterior
(omni-direcional) desenhou seu contorno. Em 2001, o
PIB chinês alcançou US$ 1,1 trilhão, com um
aumento de 7,3% em relação a 2000, e ocupou o
6º lugar no ranking mundial. O comércio exterior
registrou um volume total de US$ 509,8 bilhões, entre
os sete maiores do mundo. Com o montante da área de
serviço, a China já se tornou o 4º maior
bloco comercial, atrás apenas da UE, EUA e Japão.
A China tem uma reserva cambial de US$ 212,2
bilhões, a segunda do planeta. Os direitos de
sobrevivência, desenvolvimento e políticos do povo
chinês conheceram avanços notáveis. Ao mesmo
tempo, a China tem conseguido progresso relevante ao
completar a sua política democrática e construir o
Estado de Direito. Os direitos fundamentais dos
cidadãos chineses são plenamente assegurados pela
Lei. Os próximos cinco a dez anos
serão uma fase crucial para o desenvolvimento da China.
Por isso, foram promulgados o Programa e Projeto do
Desenvolvimento Econômico e Social para esse
período. Face às exigências
surgidas com o ingresso da China na OMC, iremos, com
esforços, aprofundar a reforma e
reestruturação da nossa estrutura para atingirmos
o PIB de US$ 2 trilhões em 2010, alcançarmos a
modernização e uma base sólida para que a
China possa obter, em meados do século 21,
o estatuto de país de desenvolvimento
mediano. Nas relações exteriores,
defendemos uma política pacífica de
independência e autodeterminação e a
disposição de desenvolver relações
amistosas de cooperação com todos os países
do mundo na base dos cinco princípios de
coexistência pacífica; a democratização
das relações internacionais contra todas as formas
de terrorismo, hegemonia e política de força para
salvaguardar a paz mundial e promover o desenvolvimento
global da Humanidade. O desenvolvimento da China exige um
ambiente internacional pacífico, onde, poderosa e
próspera, contribuirá mais rumo a esses
objetivos. Desde o estabelecimento das
relações diplomáticas entre a China e o
Brasil em 1974, nossas relações bilaterais
têm se desenvolvido favoravelmente. No início da
década de 1990, foi estabelecida uma parceria
estratégica estável e de benefício
mútuo, introduzindo a cooperação amistosa
numa nova era. Nos últimos anos, essa
cooperação conheceu um alargamento constante, de
conteúdo cada vez mais rico. O diálogo e consulta
em todos os níveis são intensos; a
coordenação e colaboração nos assuntos
internacionais cresce constantemente. Um dos pilares
dessa parceria estratégica, a cooperação
econômica-comercial bilateral apresenta avanço
significativo. Pelas estatísticas chinesas, o volume
total do comércio alcançou, em 2001, US$ 3.698
milhões - 211 vezes o valor de 1974, batendo o recorde
histórico. Pelas estatísticas oficiais do Brasil,
em 2001 a exportação do País à China
aumentou 75% em relação a 2000. São agora os
maiores parceiros comerciais entre si nas respectivas
regiões, aprimorando e diversificando os produtos.
Por outro lado, avançou o investimento
recíproco, inclusive na montagem de fábricas. A
cooperação frutífera no âmbito
científico-tecnológico se expressa no
lançamento conjunto de satélites - um modelo da
cooperação sul-sul - e incluirá três
novas áreas: engenharia informática, biotecnologia
e novos materiais. No atual contexto
internacional, complexo e volátil, a
consolidação e o desenvolvimento da parceria
estratégica sino-brasileira atendem aos interesses
fundamentais dos dois povos e favorecem à paz e
desenvolvimento regional e mundial, se revestem de
significado especial para o fortalecimento do poderio dos
países em desenvolvimento e de uma nova ordem
internacional, justa e razoável. A
cooperação econômica-comercial é aspecto
importante da nossa parceria estratégica, entre
países em desenvolvimento dotados de um sistema de
produção relativamente completo e vastos mercados,
com grande complementaridade econômica. A presença
chinesa na OMC marca o início de uma nova etapa da
Abertura ao Exterior. Seguirá a estratégia de
diversificação de mercados, utilizando
positivivamente os investimentos estrangeiros, ampliando o
panorama promissor para essa cooperação. Os
nossos países dispõem de vasta área
territorial, de condições naturais, ampla
diversidade e peculiaridades regionais de desenvolvimento. A
aproximação entre os seus governos regionais para
fins de intercâmbio e cooperação de diversos
conteúdos e formas, a partir das realidades
diferenciadas, jogará um papel imprescindível ao
processo de consolidação e enriquecimento dessa
parceria. O principal objetivo da visita ao
Ceará é justamente o de promover esse conhecimento
e cooperação com mútuo benefício.
As autoridades e empresários locais demonstram
expectativas no fortalecimento na cooperação
amistosa com a China. O Exmo. Sr. Raimundo Viana,
Secretário do Desenvolvimento Econômico,
propôs a cooperação na área de material
de medicina, equipamentos eletrônicos e cultivo de
camarão em cativeiros, entre outras. A
Associação Cearense da Câmara Industrial e
Comercial Brasil-China elaborou um plano minucioso de
intercâmbio e cooperação com a China na
área cultural e educacional, inclusive na
formação de especialistas nos dois idiomas. Muitos
empresários fizeram sugestões no sentido de
aumentar a exportação para a China e, em parceria
com as empresas chinesas, investir e montar fábricas
locais. A Embaixada da China manterá contatos
permanentes com o Governo e empresários cearenses,
acolhendo-os inclusive na China para mais descobertas sobre
novas oportunidades. E se compromete a encorajar autoridades
e empresários das regiões chinesas na mesma
direção. Nessa união de esforços, o
Estado do Ceará aumentará, de forma consistente,
os seus intercâmbios com a China, tornando-se uma porta
importante para a cooperação mutuamente
benéfica entre a China e a vasta região nordeste
do Brasil.
*Embaixador da República
Popular da China no Brasil
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