| Brasil perde mercado para a China nos Estados Unidos |
| 2007-10-24 |
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Brasília, 24 out (Xinhua) -- O Brasil perdeu para a China mais de US$ 1 bilhão em exportação para os Estados Unidos só no ano passado, segundo um estudo inédito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Mantido o ritmo de avanço dos chineses sobre os mercados tradicionais brasileiros, a FIESP estima que, em uma década, o Brasil deixará de exportar o equivalente a quase a metade de suas vendas para os EUA, que somaram US$ 26,17 bilhões em 2006. "A China tem mantido nos últimos 15 a 20 anos uma atitude agressiva e proativa em termos da expansão das exportações, enquanto aqui o exportador só recebe pedrada e é chamado de chorão por reclamar de fatores como o cambio desfavorável e a elevada carga tributária", disse Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp. De janeiro a setembro, as vendas brasileiras para os EUA caíram 6%, para US$ 11,859 bilhões, mas subiram 29% para a UE, atingindo US$ 11,984 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já as exportações da China para os EUA cresceram de forma acentuada. O principal ganho de mercado chinês sobre o Brasil, segundo a Fiesp, se deu no setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos. Nessa área, o Brasil perdeu participação de US$ 305,5 milhões no mercado americano. Em seguida, a indústria calçadista perdeu US$ 81,9 milhões. "Deixamos de exportar para os Estados Unidos no começo deste ano," conta Carlos Brigagão, presidente da empresa de calçados Sandalo, de Franca (SP). Dados da Secex mostram que os EUA continuam sendo o principal mercado para o calçado brasileiro, embora venha encolhendo ano a ano. De janeiro a setembro, aquele país importou do Brasil 39 milhõ es de pares, o que representa queda de 23% em relação a igual período de 2006 (50,8 milhões de pares). Muitas indústrias diminuíram o apetite de vender aos EUA. Além de caro, o mercado americano enfrenta uma crise econômica que reduz o consumo e desvaloriza o dólar. Tanto que a China tirou do Brasil uma participação na venda de máquinas e instrumentos mecanicos para os EUA equivalente a US$ 78,3 milhões em 2006. Um número muito semelhante foi constatado no setor de móveis, que perdeu US$ 74,8 milhões em exportações para os chineses. "Não dá para competir com os chineses trabalhando com o dólar de 2000 e custos de 2007", afirmou Alvaro Weiss, vice-presidente da Associaçã o Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel). Fim |