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Discurso do Embaixador Jiang Yuande no Encontro Brasil-China da Associação Comercial do Rio de Janeiro
2004-08-17

Sua Excelência o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil,
Sua Excelência o Sr. Marcílio Marques Moreira, Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro,
Sua Excelência o Sr. Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores,
Sua Excelência o Sr. Luiz Fernando Furlan, Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Sua Excelência a Sra. Rosinha Matheus, Governadora do Estado do Rio de Janeiro,
Minhas Senhoras e Meus senhores,


É para mim grande honra poder participar no Encontro Brasil-China organizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro. Gostaria de expressar, em nome do Governo da China, as cordiais felicitações pela realização desse seminário e as altas considerações aos amigos que tenham feito grandes esforços para esse encontro. Desejo antecipadamente o pleno sucesso ao seminário e gostaria de aproveitar o ensejo para lhes dar uma breve apresentação sobre os êxitos do desenvolvimento econômico da China, as perspectivas do seu futuro desenvolvimento e os resultados da cooperação sino-brasileira e as suas perspectivas.  
A China é um país de civilização antiga com uma longa história e também um país em desenvolvimento repleto de vitalidade. Ao longo dos últimos 25 anos desde a aplicação da reforma e abertura ao exterior, a China testemunhou grandes mudanças e tem conseguido êxitos aplausíveis no âmbito do desenvolvimento econômico e social. A economia nacional tem mantido um crescimento acelerado, o poderio integral do país tem se fortalecido e a vida do povo tem melhorado notávelmente. Durante os últimos 23 anos, a economia nacional mantém uma taxa de crescimento anual de cerca de 9% e a renda per capita aumentou mais de 7 vezes. Em 2002, o PIB chinês ultrapassou U$D 1 trilhão e ocupou o sexto lugar no mundo. O valor global da importação e exportação alcançou pela primeira vez U$D 620 bilhões com um aumento de 21,8% em relação ao ano anterior. No mesmo ano, o investimento direto estrangeiro (IED) foi aproximadamente U$D 50 bilhões, o maior no mundo. Em 2002, o consumo de aço pela China correspondeu a um quarto da produção mundial; o consumo de cimento ocupou mais de 40% da produção global; as auto-estradas aumentaram a 25000 kms, ocupando o segundo lugar no mundo; são mais de 400 milhões de usuários de telefone e fica no primeiro lugar no mundo; o número de internautas pelo internet chega a 59.1 milhões e é o segundo maior no mundo. Até ao final de 2002, foi autorizada pela China a instalação de mais de 42000 empresas com investimento estrangeiro e o seu valor total pelo contrato foi de U$D 828.1 bilhões enquanto o valor aplicado do investimento estrangeiro foi de U$D 448 bilhões. Em 2002, foram inauguradas 34171 empresas com investimento estrangeiro e registrou-se um aumento de 30.7%. Atualmente, a grande maioria das empresas com investimento estrangeiro está se funcionando bem e obteve abundantes lucros através do rápido desenvolvimento da economia da China. Apesar da recessão da economia mundial ao longo dos últimos 2 anos, a economia chinesa tem mantido um rápido desenvolvimento, dando novo vigor ao progresso da economia mundial. Segundo cálculos de especialistas do exterior, o volume acrescentado da economia chinesa em 2002 correspondeu a 17.5% do volume acrescentado total da economia global, uma contribuição que foi apenas inferior dos Estados Unidos da América, e a taxa de contribuição da China para o comércio internacional chegou a 29%. Até ao final de 2002, a China instalou 6960 empresas com investimento chinês no exterior, com cerca de U$D 10 bilhões do valor total de investimento. Ao realizar  negócios transnacionais, empresas chinesas não apenas trazem amplo espaço de atuação para si prórprias, como também beneficiam ao aumento de emprego e impostos locais e à promoção da economia local.    
No 16° Congresso Nacional do PC da China, a China traçou explícitamente o objetivo de construir uma sociedade modestamente abastecida em todos os sentidos e elaborou um projeto de desevonvimento com a meta de alcançar em 2020 o PIB per capita de U$D 3000 (atualmente é de U$D 1000), correspondente ao nível médio dos países com uma renda média naquela altura, e formular o projeto da evolução do sistema socialista de economia de mercado razoavelemente aperfeiçoado. Os primeiros 10 a 20 anos desse sécluo serão uma fase crucial de oportunidades estratégicas para a China. Nesse período, a China vai concentrar a energia em construção duma sociedade modestamente abastecida em todos os sentidos de nível mais alto, que beneficie mais de 1 bilhão de pessoas, para que tenhamos uma economia mais desenovolvida, democracia mais completa, ciência e tecnologias mais avançadas, cultura mais próspera, sociedade mais harmoniosa e a vida do povo mais cômoda. Até aos meados do século 21, será concretizada basicamente a modernização do país e a China será um país socialista mais próspera, democrática e civilizada, dando maiores contribuições ao desenvolvimento e progresso conjunto da humanidade.
Caros amigos,
Desde o estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil em 1974, a cooperação entre os dois píses tem-se desenvolvido favoravelmente em todos os campos e tem logrado ricos resultados. No início da decáda 90 do século 20, os dirigentes dos doís países concordaram em estabelecer uma parceria estratégica duradoura, estável e de benefício mútuo, o que constitui um novo marco na história do relacionamento sino-brasileiro. As trocas de visitas de alto nível são frequentes entre os dois países, aumentando a compreensão e confiança recíprocas. A China e o Brasil compartilham visões e posições idênticas ou semelhantes nos temas internacionais importantes e mantêm uma colaboração estreita na ONU, assim como em outras organizações internacionais, tendo feito apoio mútuo e cooperação frutífera.
A cooperação económica-comercial vem-se aprofundando constantemente e alcançou um novo patamar. Segundo estatísticas da Alfândega da China, o valor total do coméricio entre a China e o Brasil em 2002 foi de U$D 4469 milhões. A importação da China do Brasil e a exportação chinesa para o Brasil foram de U$D 3003 milhões e U$D 1466 milhões, com um aumento de 27.9% e 8.5% em relação ao ano anterior respetivamente. A China já é o maior mercado para as exportações brasileiras na Ásia e, ao mesmo tempo, a cooperação económica e investimento recíproco também se têm crescido a cada ano. Segundo estatísticas oficiais da China, já foram estabelecidas 61 companhias comerciais e empresas chinesas no Brasil. A fábrica de montagem de aparelhos de ar condicionado de Gree da China em Manaus, com investimento de U$D 20 milhões e capacidade de produção de 200 mil unidades de aparelho por ano, já foi inaugurada em junho de 2001. O Bao Steel da China assinou com a CVRD do Brasil um acordo de exploração conjunta de minério de ferro com U$D 20 milhões de investimento pela parte chinesa. A Huawei Tecnologies S/A também fez mais que U$D 20 milhões de investimento e instalou uma fábrica em São Paulo em 1997. Enquanto disso, a CVRD, a CBMM, a Embraer e outras empresas famosas do Brasil têm mantido bom relacionamento de cooperação com a parte chinesa e abriram escritórios na China. As duas partes também tiveram progressos aplausíveis na cooperação de hidroeletricidade. Empresas brasileiras já ganharam a licitação de 6 unidades de grupo-gerador de eletricidade no projeto de Três Gargantas e ofereceram cooperações importantes para a maior obra hidráulica do mundo.
Na área científica-tecnológica, o intercâmbio e cooperação entre os dois países têm-se aprofundando constantemente. Após o lançamento bem sucedido do primeiro satélite de sensoriamento de recursos terrestres fabricado em conjunto pelos dois países em outubro de 1999, o lançamento do CBERS II está previsto para o ano corrente na China. Em novembro do ano passado, tive a honra de assinar, em nome do Governo chinês o Protocolo sobre a Pesquisa Conjunta do CBERS III e IV junto com o Sr. Ronaldo Sardenberg, então Ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil. Outro projeto importante de cooperação aplausível para nós é o acordo assinado no fim do ano passado pelas empresas respeitantes dos nossos dois países sobre a instalação de uma fábrica de montagem de jatos regionais com investimento misto na China. É uma colaboração estratégica que estabelece mais um caso exemplar da cooperação sul-sul em alta ciência e tecnologia depois da cooperação sino-brasileira de satélites.
Com o maior grau de abertura da China, sobretudo depois do ingresso da China na OMC, a cooperação econômica-comercial e científica-tecnológica entre os dois países apresenta perspectivas ainda mais amplas. Atualmente, os Governos dos dois países atribuem alta relevância à cooperação bilateral e consideram a outra parte como um dos meios importantes para a concretização da pluralização de mercado. Os setores empresariais têm maior interesse por explorar o mercado da outra parte e promover cooperação e intercâmbio. Em 2002, a China promoveu com êxitos a Exposição da Engenharia e Equipamentos Completos em São Paulo, e o Brasil realizou com sucessos uma exposição de produtos brasileiros na China e, com o aumento das trocas de visitas na área económica-comercial, tanto oficiais como civis, foram aumentados a comunicação e o conhecimento mútuos entre si. Além disso, os dois países têm grande potencialidade em cooperação nas áreas de alta ciência e tecnologia, tais como engenharia informática, biotecnologia e tecnologia de novos materiais. Uma vez que as duas partes prestem os seus esforços conjuntos, a cooperação da parceria estratégica sino-brasileira terá o conteúdo ainda mais enriquecido e aprofundado.
Amigos,
No favorável desenvolvimento do relacionamento sino-brasileiro estão condensados o suor e empenho diligente de todos os presentes. Vocês têm feito muito trabalho positivo para a promoção de cooperação política, econômica-comercial e científica-tecnológica entre a China e o Brasil. À medida do crescimento do poderio econômico da China, da ampliação dos setores abertos ao exterior e do aumento das oportunidades de cooperação, temos grande prazer de convidar todos a visitar a China a qualquer hora para fazer uma pesquisa sobre a possibilidade de cooperação, investimento e instalação industrial com vista a dar novas e proveitosas contribuições no sentido da promoção e do aprofundamento das relações da cooperação bilateral entre a China e o Brasil.
Como dois maiores países em desenvolvimento respetivamente do Hemisfério Leste e Oeste, a China e o Brasil estão empenhados pelo desenvolvimento da economia nacional e pela melhoria da vida do seu povo e assumem responsabilidades de grande importância para o progresso das suas próprias regiões e da humanidade. A consolidação e fortalecimento da parceria estratégica sino-brasileira não apenas correspondem aos interesses fundamentais dos dois povos, como também favorecem à salvaguarda da paz e desenvolvimento das suas respetivas regiões, particularmente, do mundo inteiro, tendo significado importante para fortalecer o poderio integral dos países em desenvolvimento e promover o estabelecimento de uma nova ordem internacional política e econômica mais justa e razoável. A parte chinesa atribui grande relevância ao desenvolvimento de relacionamento de cooperação de benefício recíproco com o Brasil em todos os sentidos. Estamos dispostos a juntar os esforços com todos os presentes e as pessoas que zelem pelo desenvolvimento do relacionamento sino-brasileiro para aproveitar a oportunidade e construir um futuro brilhante da cooperação entre a China e o Brasil.
Obrigado.

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